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  • Dr. Huber Vasconcelos

Como a rubéola atinge a retina?

A rubéola é uma doença viral que, graças à cobertura vacinal, não é registrada no Brasil desde 2009, segundo documento da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). No entanto, antes desta imunização em massa ocorrer, a doença era comum e, quando infectou gestantes, gerou em seus bebês o que chamamos de Síndrome da Rubéola Congênita. Entre as várias alterações que a Síndrome provoca na pessoa, como surdez, problemas no coração, no sistema nervoso central e no desenvolvimento, também estão os problemas oculares.

Dentre as principais manifestações oculares dessa síndrome podemos citar: catarata, retinopatia, microftalmia, nistagmo, glaucoma, dentre outras. Algumas dessas se relacionam com baixa da acuidade visual e até cegueira, a depender do quadro.

O primeiro passo do diagnóstico da rubéola congênita é a realização de testes sorológicos. Para avaliar os danos que a síndrome pode ter causado à visão, alguns exames podem ser realizados, como a biomicroscopia anterior, o mapeamento de retina, a retinografia, a angiofluoresceinografia, a autofluorescência, além de eletrorretinograma de campo total (ERG de campo total) e outros testes eletrofisiológicos.

Rubéola e retina


Na retinopatia secundária a sindrome da rubéola congênita, a estimativa das é que em mais de 90% dos casos a doença afeta os dois olhos.




Esta situação pode prejudicar a acuidade visual, além de poder ter uma apresentação assimétrica entre os olhos. A acuidade visual, segundo o Atlas de Doenças da Mácula (pp.295-296), varia entre 20/60 e 20/200 no olho mais afetado pela doença e entre 20/30 e 20/40 no olho menos afetado, mas há pacientes com visão normal em ambos os olhos, apresentando apenas alterações de pigmentação.

Não existe um tratamento exclusivo para casos de retinopatia por rubéola congênita. Dentre manifestações secundárias, a neovascularização de coróide pode ocorrer em casos isolados e tratadas com anti-VEGF. Com relação a outras manifestações oculares, a catarata pode ser tratada cirurgicamente, e outras manifestações podem ser controladas, como glaucoma.

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