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  • Dr. Huber Vasconcelos

O que são estrias angioides?

As estrias angióides foram descritas pela primeira vez em 1889, como algumas linhas irregulares, como se fossem rachaduras, que se estendiam radialmente da área peripapilar (ao redor no nervo óptico) para a área central e periférica da retina. Antigamente, acreditava-se que a doença tinha relação com problemas vasculares, mas hoje já é definido que é uma disfunção da membrana de Bruch, uma camada abaixo da retina.


Há pacientes que, inicialmente, não apresentam nenhum tipo de sintoma. Em contrapartida, conforme as camadas retinianas externas e fotorreceptores vão sendo afetadas, principalmente na região central da retina, surgem as queixas de piora visual. As estrias angióides podem causar alterações oftalmológicas e até mesmo cegueira em casos raros (cerca de 70% dos pacientes apresentam algum dano visual).


Elas tendem a surgir a partir da segunda década de vida e acredita-se que esse aparecimento é consequência de uma combinação entre disfunção da camada de Bruch com mecanismos de estresse intrínsecos e extrínsecos, como da movimentação ocular, pressão ocular e traumas.


Principais sinais oculares para o diagnóstico de estrias angióides são:


  • Peau d'orange ("casca de laranja"): padrão de moteado difuso do epitélio pigmentado simulando uma retina em "casca de laranja", principalmente na média periferia temporal

  • Alguns corpúsculos cristalinos subretinianos na periferia

  • Maior incidência de drusas no nervo óptico

  • Lesões lineares cinzas ou vermelho-escuras na retina, geralmente emergindo do nervo optico, com uma aparência de “teia de aranha”

Com a progressiva evolução das estrias, o risco de ocorrer a neovascularização de coróide é maior. Além disso, as chances de uma rotura de coróide são maiores devido as alterações estruturais. Devido a isso, indica-se o uso de óculos de proteção, principalmente na prática de esportes onde haja risco de trauma ocular.


As estrias angióides podem se associar com diversas doenças sistêmicas, sendo a mais comum o pseudoxantoma elástico. Possível associação com essas e outras doenças faz com que a avaliação sistêmica do paciente seja mandatória.


Por meio do exame de fundo de olho feito por um retinólogo, é possível diagnosticar as estrias angióides. O diagnóstico pode ser complementado por exames, como a retinografia, a angiofluoresceinografia, a tomografia de coerência óptica, entre outros.


O tratamento é feito visando tratar as complicações secundárias às estrias angióides, principalmente a neovascularização de coróide. O tratamento é feito com medicamentos antiangiogênicos nesses casos.

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