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  • Dr. Huber Vasconcelos

Vias de tratamento na terapia gênica ocular



Uma das principais causas da degeneração de retina são doenças relacionadas a distrofias hereditárias. Neste sentido, a terapia gênica surge como uma alternativa de tratamento possível para estas doenças. No caso do olho, um grande número das doenças apresenta defeitos em genes conhecidos, por isso a terapia gênica é uma alternativa que se mostra eficaz em muitos casos. Há, atualmente, duas vias de tratamento mais comuns: a injeção sub-retiniana e a injeção intravítrea. Elas permitem que um menor volume de medicamento seja usado e, também, que ocorra uma maior taxa de transfeção e menos complicações.


Injeção sub-retiniana

Atualmente, a forma de tratamento mais aplicada dentro da terapia gênica no combate a doenças oculares é a injeção sub-retiniana. Ela consiste na introdução de uma medicação junto com um vetor viral próximo às células a serem tratadas, aumentando a taxa de transfecção e efetividade da terapia gênica. Por meio desta via de administração, o único medicamento oftalmológico aprovado até então é o voretigene neparvovec-rzyl / Luxturna. Para que a injeção sub-retiniana da medicação seja feita, é preciso realizar uma vitrectomia via pars plana com descolamento da hialoide posterior. Como consequência, uma bolha é formada, representando a retina descolada com a medicação sub-retiniana. Um outro método para que a injeção seja feita é criar uma pré-bolha com BSS, pois ela cria um plano de clivagem entre os fotorreceptores e o epitélio pigmentado da retina (EPR), melhora a precisão do procedimento e reduz o risco de desperdício do medicamento no vítreo, caso exista falha em descolar a retina para a criação da bolha. Durante a cirurgia, a tomografia de coerência óptica (OCT) é importante para confirmar a injeção da medicação no espaço subretiniano e monitorar possíveis intercorrências, como, por exemplo, retinosquise, descolamento do EPR, buraco macular, entre outras.


Injeção intravítrea

A segunda técnica mais aplicada dentro da terapia gênica é a injeção intravítrea, um método mais simples e rápido, em que a medicação é aplicada no corpo vítreo, a partir de onde esta medicação entrará em contato com a retina. A principal desvantagem deste método, devido às barreiras das camadas internas da retina, é uma capacidade menor de transfecção gênica das células-alvo pelos vetores virais existentes. Por isso, a injeção intravítrea é mais usada para transfectar células ganglionares e outras camadas mais internas da retina. Para esta técnica, outros tipos de terapia gênica como as que utilizam os Antisense Oligonucleotides (ASO/AON), também estão sendo testados em estudos clínicos em humanos, e devem ser métodos terapêuticos disponíveis num futuro próximo. Nestes casos, não é feita a utilização de vetores virais.

Para que a terapia gênica - via injeção intravítrea ou sub-retiniana - seja feita, é necessário a presença de células viáveis. Quando não há células-alvo com potencial de resgate, outros tipos de tratamentos devem ser levados em consideração, como terapias celulares, optogenética e próteses visuais de neuroestimulação.

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